 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

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Terça-feira, Outubro 23, 2007
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Capítulo 5 – Everybody's Problem
Densa, úmida, sombria e apavorante são os primeiros adjetivos que qualquer pessoa de Haport pode lhe informar sobre a Floresta Próxima. Talvez isto explique o porquê dela ser tão evitada, afinal, apenas os estupidamente valentes ou os incrivelmente loucos ousam entrar nela. Por este exato motivo, a Floresta Próxima é a única extremidade de Haport desprovida de muros.
Como já informamos, até mesmo o Sol evitaria passar pela Floresta Próxima, se pudesse. E, mesmo sem poder, o Sol se esforçava ao máximo. O que é uma pena, pois ele refletiria com maestria duas armaduras prateadas que passavam por ali.
- Sabe, Pelica, eu te respeito muito e, com certeza, obedeço qualquer ordem sua! Má porque passar logo pela Floresta Próxima? - questiona Sir Markytus.
- Ora, Marky! Estamos numa missão para nossa Rainha, de sigilo absoluto. E não podemos nos dar ao luxo de sermos descobertos. Sabe-se lá se Art tem algum espião em Haport! - responde Sir Pelicanus.
- Mas, oxi, logo por aqui? Não tínhamos máscaras, disfarces, barril, magias de teletransporte ou coisas do gênero? - pergunta Markytus, enquanto ambos caminhavam pela Floresta, ora abrindo, com suas espadas, caminho pelas árvores, ora fazendo o mesmo.
Pelicanus entendeu que aquela era uma pergunta retórica. Markytus também entendeu, mas gostaria que que não fosse, afinal, o silêncio que se instaurou depois era quebrado pela medonha trilha sonora da Floresta e pelos sons de suas espadas abrindo o caminho entre os galhos que persistiam em atrapalhá-los. Era uma trilha sonora tão sinistra que até o mais gótico dos bardos começaria a compor baladas românticas após ouvi-la. Markytus tomou a iniciativa para interromper:
- Mas, então, qual é o plano, Pelica? Assim, eu entendi absolutamente nada, e você entendeu absolutamente tudo que era necessário com tanta facilidade que fiquei até com medo de demonstrar que desconhecia tudo.
- Ah - disse Pelicanus - É simples! Segundo o relatório de Cohim, nós precisamos de ajuda, e só tem um exército em Hizketch que pode nos ajudar agora!
- Mas... Mas... - Markytus gaguejou demonstrando insegurança - Oxi, ela tem seus problemas agora, gravíssimos!
Neste instante, Pelicanus fincou sua espada na terra e parou. Seu semblante era como o de alguém que sentia muito ter que fazer o que devia fazer. E era exatamente isto que acontecia com ele.
- Eu sei, Marky - disse Pelicanus se voltando para o amigo - Eu sei! Mas, se Art conseguiu derrotar toda aquela ofensiva, sequestrar Liz e derrotar Tchelus, ah, Marky! Se ela souber disto, ela vai tentar nos fornecer todo o seu exército! E este é o meu medo... Ela não pode ficar desprotegida!
Ambos se silenciaram, mas, desta vez, não se sentiam incomodados com os típicos sons da Floresta. Ambos estavam imersos em seus pensamentos. Era em situações semelhantes a estas que Markytus fazia alguma piada para descontrair, mas não foi o que ocorreu. Markytus voltou a brandir sua espada, abrindo o caminho entre as cerradas árvores. Pelicanus, com os olhos marejados, esboçou um pequeno sorriso e tratou de retirar sua espada de onde ele a havia fincado e também voltou a abrir caminho.
Foi neste exato momento que dois ladinos gritaram apavorados. Porém, a Floresta era tão densa, e o grito saiu tão abafado, que nenhum deles ouviu o som com perfeição. Para os dois guerreiros, não havia nenhum som diferente da normalidade da Floresta.
Uma das coisas mais apavorantes na Floresta Próxima, era sua ausência de vida. Sim, sabemos que árvores, plantas e fungos são seres vivos (aliás, a presença deste último grupo na Floresta Próxima, prova a teoria de que eles são os seres vivos mais valentes de todo Hizketch), mas havia uma ausência nítida de vida. Não se ouvia rastejos na grama, pios de pássaros, cricrilar de grilos, arfar de animais hibernantes, gritos de vendedores ambulantes, enfim, nada que caracteriza a presença de vida não-clorofilada (com a exceção dos fungos, é claro). Isto era o que mais incomodava os guerreiros de Ledika, então podemos entender melhor o que se passou a seguir:
- Pelica, você ouviu? - pergunta Markytus, após ouvir algo parecido com o som do vento tremulando folhas de árvores.
- Não foi você? - Re-perguntou Pelicanus, com uma expressão de quem estava irritado ao ser interrompido da interessante tarefa de abrir caminho com espada.
- Oxi, se fosse eu, teria perguntado? - Tre-perguntou Markytus, esperando que Pelicanus compreendesse sua interrogação.
- Então, deve ter sido o vento - responde Pelicanus, que começava a se impolgar com a arte do "gira-espada-corta-galho".
- Vento? - disse Markytus, enquanto parava - Onde você sente vento por aqui? Mexendo o seu cabelo?
Realmente Markytus estava certo, era nítida a ausência de vento. E Markytus ainda fez o comentário mais irritante que ele poderia ter feito. Ele sabia, como ninguém, que Pelicanus tinha calvície e, por isto, deixava seus cabelos curtos.
Pelicanus não disse nada. Markytus não soube dizer se era porque Pelicanus, até agora não havia se dado conta da ausência de vento. Ou se Pelicanus apenas deu uma pausa dramática.
Ambos permaneceram parados, e o ruído se repetiu.
Ambos olharam para todas as direções possíveis, e o ruído se repetiu.
Ambos continuaram parados, e o ruído que veio a seguir era diferente, como o de pessoas pisando em folhas secas.
Ambos guerreiros se armaram em pose de combate, andando lentamente em direção ao som.
Ambos guerreiros se depararam com dois garotos aparentemente muito nervosos.
Ambas duplas se estranharam apavoradas.
E o que aconteceu a seguir, só estando lá para entender.
Escriturado por: Sir Refevas
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