 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

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Quarta-feira, Novembro 07, 2007
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Capítulo 7 – Heat of the Moment
Talvez devessemos informar que um fato conhecido por um número razoável de pessoas, é que os bardos (aventureiros andarilhos, criadores e executores de artes e contadores de história) tem poderes mágicos. Nada tão fenomenal quanto as magias de um mago, como apagar mentes, disparar bolas de fogo ou tranformar água em vinho, mas coisas mais simples como encantar pessoas por um curto espaço de tempo, acender velas e acabar com a taça de vinho.
Talvez devessemos lembrar que, na temida Floresta Próxima, um dos grandes guerreiros de Ledika, Sir Markytus, estava parado, brandindo sua espada acima de sua cabeça, em direção a dois ladinos: Samuel e Pedro.
Talvez devessemos lembrar que Peko é um bardo.
Talvez devessemos informar que o mesmo Peko agora saltava, com perfeição, de uma árvore para o chão próximo a Samuel e Pedro, dedilhando seu banjo. Saltar de uma árvore dedilhando um banjo era algo admirável, até mesmo para um ladino. Algo que Pedro conseguiria com muita dificuldade. Algo que, com certeza, Samuel não conseguiria.
- Rapazes - disse Peko olhando para os dois ladinos - Mais uma? A dívida de vocês está alta comigo!
- Foi você? - disse Pedro, apontando para o ainda congelado guerreiro. Pedro tentou gaguejar esta frase, mas a tentativa se mostrou em vão. Apesar do fato ser incrivelmente espantador, Pedro já havia avistado tantos outros fatos incrivelmente espantadores que não gaguejaria nem se visse o Dono de Hizketch vestido de palhaço mímico imitando seus movimentos.
- Gostou? "Encantamento temporário de pessoas", é a lição que vem logo depois de "Solos de Acordeão" e "Adestramento de Papagaios de Realejo" na Escola de Bardos. Modéstia a parte, domino bem as três taresfas. - responde Peko, ainda dedilhando seu banjo. Provavelmente porque este dedilhar mantinha o encanto, como deduziu uma das pessoas presentes no episódio.
Foi desta pessoa a mão sangrenta, cortesia de Samuel, que, rapidamente, agarrou o banjo de Peko, enquanto sua outra mão espunhava uma espada apontada em direção ao bardo:
- O show acabou - disse Sir Pelicanus.
- M-m-mas como você resistiu ao encanto? - espantou-se Peko.
- Enfrentei vários bardos pra cair no truque barato de um cantorzinho de garagem - responde Pelicanus, tomando o banjo para suas mãos.
Neste exato momento, Sir Markytus destrói a inércia, porém golpeia o ar, afinal, os dois ladinhos já haviam se retirado, respeitosamente, da mira da então congelada espada. Markytus se sentia como alguém que acaba se sair de um transe. Se sentia assim porque era exatamente o que havia acontecido.
Ao ouvir o som da espada cortando o vento, Pelicanus, segurando um bandolim com uma mão sangrenta e apontando uma espada contra três pessoas com a outra, olha de relance para o lado e diz:
- Calma, Marky! Encantamentos de bardo. Provavelment você estava distraído demais e se deixou cair neste truque.
- Rapaz! Que coisa doidimais! - disse Markytus caminhando em direção a Sir Pelicanus - E agora temos dois guerreiros de Ledika contra três ladinozinhos? Oxi, isto me parece injusto! Deixa eles chamarem mais uns oito amigos pra equilibrar a luta, vai! - brinca o guerreiro.
- Rsrs! - Este som ecoa pelo trecho da Floresta onde se encontram nossos heróis. E todos percebem a presença da dona deste som deitada num galho compenetrada como alguém que assiste a uma peça de camarote.
- Quem é você? - Pergunta Sir Pelicanus.
- Ah, rsrs! Deixa o garoto do colete falar, rsrs! Adoro a voz dele, rsrs!
Pelicanus volta seu olhar sobre Samuel. Todos fazem o mesmo em seguida.
- Vamos... - diz o guerreiro ruivo.
- Aonde? - pergunta Samuel.
- Diga quem é ela e sem nenhuma piada - disse Pelicanus, logo após um suspiro impaciente.
- Ah! A doida ali disse que se chama Tisha e que é a guardiã da Floresta.
- Cúmplice de vocês, eu suponho - disse Pelicanus.
- Quem dera! Se eu andasse com ela, e não com o Samuel, talvez as coisas dariam certo para mim - disse Pedro.
- Não - responde Samuel olhando reprovadoramente para Pedro - fomos apresentados hoje.
- E o que queres? - Pergunta Pelicanus, olhando para Tisha, mas ainda apontando sua espada para os três amigos.
- Rsrs! Minha floresta está muito agitada hoje, rsrs! Geralmente todos evitam aqui e hoje temos festinha com música e tudo, rsrs! Devia ter imaginado que algo assim aconteceria quando ele apareceu hoje pela manhã, rsrs!
- Oxi, ele quem? - Pergunta Markytus.
- Eu - responde um vulto que saía de trás da árvore em cujo galho Tisha se encontrava deitada. O vulto, como todos os vultos, se vestia de preto. E, mantendo a moda que faz sucesso entre os vultos, usava um capuz que ocultava quase a totalidade do seu rosto.
- É ele! É ele! - gritou Samuel - o cara que me pagou pra buscar o amuleto!
- Rapaz, estou impressionado! - disse ironicamente Peko - Incrível como você consegue reconhecer uma pessoa que oculta sua aparência física!
- É ele sim, a mesma altura, o mesmo ar taciturno, a mesma bolsa de dinheiro amarrada na cintura! - responde Samuel, lançando um olhar reprovador contra Peko.
- Nossa! - disse Pedro - Ainda bem que ele apareceu! Eu já tinha certeza que era balela sua! Perdão aí pelo voto de desconfiança!
Samuel muda o alvo do seu olhar reprovador para Pedro, que o encara com uma expressão de quem quer dizer "estava errado?".
- Isto não me ajuda em nada! - brada Sir Pelicanus - por favor, se identifique!
- Você já foi mais simpático com os estranhos, irmão! - disse o vulto, retirando seu capuz e revelando um rosto sereno, olhos puxados e cabelos escuros não muito compridos.
Neste instante, Pelicanus e Markytus se curvaram, assustados. E, com isto, assustando Peko, Samuel e Pedro. Tisha continuava rindo.
- Peço perdão - disse Sir Pelicanus - pela minha conduta e por meus modos, Sir Tchelus!
- / - / - / -
Este foi o último capítulo de minha história que Tchelo leu.
Graças a Deus tive o prazer de ter em Tchelo, não só como um mito a se admirar, mas como um amigo, um mestre, um apoio, um irmão.
Tudo isto obtido por seu carisma, seu jeito tímido e cativante, suas palavras sábias, suas palavras engraçadas, suas risadas contidas, porém sinceras, sua humildade ímpar, por cada momento passado ao seu lado, mesmo que a distância deste lado fosse geograficamente enorme, o carinho a diminuia e as barreiras eram vencidas.
Tchelo, obrigado por tudo, cara! Tenha o descanso que mereces, você sempre vai ser alvo do nosso carinho e de nossa admiração!
O iSketch perde o seu maior mito, seu maior jogador de todos os tempos.
Nós, isketcheiros, perdemos um amigo, que nunca mediu esforços para nos ver alegres.
Contos de Hizketch perde seu principal colaborador, seu "editor", como eu gostava de chamá-lo, a fonte para seu personagem mais poderoso.
Mas, ele deixou uma chama, que está acesa em cada um de nós.
E é esta chama que eu pretendo alimentar, para tchelo continue vivendo dentro de nós.
Abraço, cara! Valeu por tudo!
Escriturado por: Sir Refevas
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