 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

Taverna de Skoll
DeviantArt dos Contos de Hizketch
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Contato
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Domingo, Dezembro 02, 2007
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Capítulo 10 – Where Is My Mind?
O Sol voltou a brilhar em Hizketch e os doces toques da aurora tingiram o céu num breve, porém magnífico mosaico. Os pássaros, então, iniciaram uma sinfonia encantadora e Mag, os ouvindo, abriu as portas da Taverna de Skoll. Era mais um belo dia em Hizketch.
Pelicanus foi o primeiro a acordar dentre os hóspedes do segundo quarto da taverna. Ele se arrumou, subiu as escadas, pediu uma cerveja preta e, após pagar, se sentou em uma das mesas da taverna, afinal, todas estavam vazias. Peko e Ângela se juntaram a ele logo em seguida, acompanhando-o no silêncio que imperava no recinto.
Samuel foi o último a acordar, despertado por Markytus e Pedro. Na verdade ele continuara dormindo para ver se os demais se esqueceriam dele ou ainda se ele se esqueceria de tudo. Estes momentos de decisões importantes sempre causaram uma aflição enorme em sua alma, e não era diferente agora. Porém, Markytus e Pedro estavam dispostos a submergir Samuel nestas complicações.
Os três subiram as escadas e logo encontraram Peko, Ângela e Pelicanus.
- Bom dia, pessoal! Como vai o machucado de sua mão esquerda, Sir Pelicanus? – perguntou Samuel.
- Melhorando – respondeu Sir Pelicanus, olhando para o ferimento já cicatrizado – Embora ele ainda me incomode um pouco.
O silêncio imperou novamente. Samuel ia quebra-lo, quando Pelicanus tomou a palavra:
- Estão todos prontos?
Todos concordaram com a cabeça. Markytus, ao se levantar, questionou o guerreiro ruivo:
- Oxi, iremos com a armadura real de Ledika mesmo? Você não acha que chamaremos muita atenção?
- Acho sim, Marky – respondeu Pelicanus – Mas não quero correr o risco de sair em uma missão coberto apenas por uma cota de malha. A armadura chamará a atenção de alguns, mas tenho certeza que afastará a de outros.
Mag se aproximou à mesa dos seis, trazendo dois copos de cerveja e um de leite com groselha, e disse:
- Tchelus saiu ontem de noite, disse-me para avisá-los que vai buscar mais uma ajuda alternativa, seja lá o que isto possa dizer. Disse-me também para entrega-los isto – Mag ergueu alguns pacotes retangulares.
- Cada um destes pacotes pode substituir quatro refeições – disse Mag – É um misto de legumes, trigo, aveia, batata, ervas finas e carne branca. Contém Glúten. Eles começam a apodrecer em cerca de uma semana, então é bom usa-los logo.
- Obrigado – disse Sir Pelicanus distribuindo as provisões entre os demais – Adeus Mag! Esperamos voltar em breve e vitoriosos!
- Adeus, Pelicanus – respondeu Mag – Que suas palavras se tornem verdade!
- Aonde iremos? – perguntou Pedro
- Para onde eu e Markytus iríamos antes de encontrar vocês - respondeu Pelicanus - Vamos para os Cais embarcar. Vamos para Ninjin, como Tchelus ordenou. Vamos a bordo do Furmankiewicz!
E assim os seis heróis saíram da Taverna de Skoll, obedecendo as ordens de Sir Tchelus, indo para o misterioso e renomado reino insular de Ninjin.
Os seis caminharam em direção aos Cais e, por volta de uma hora de caminhada, Samuel disse:
- Nós não precisamos de um nome?
- Um o quê? – perguntou Markytus.
- Um nome! Do tipo “Esquadrão Eliminador”, “Liga da Liberdade”, “Comitiva da Coibição” e coisas do tipo!
- O-o-o-quê? – resmungou Pelicanus.
- Acho que você está lendo revistas em quadrinhos demais, Samuel – disse Pedro.
- Ah, mas fica tão sonoro! “Tremei de medo, rufiões, pois os Protetores da Paz estão ao seu encalço” – bradou Samuel com o máximo que sua voz podia se aproximar de um tom amedrontador.
Ângela não conteve suas risadas, e logo foi acompanhada pelos demais. Depois de todos gargalharem, se emudeceram e continuaram a caminhada, andando mais algumas horas.
- Que tal, “Guerreiros Guardiões” – disse Peko
- O-o-o-quê? – resmungou Pelicanus
- Ah, fica mais fácil para trovar depois – disse Peko dando de ombros.
A uma certa altura, mais ou menos, mas não completamente, nem mesmo perto, do meio do caminho entre a taverna e os Cais, num trecho da estrada próximo a uma encosta, uma misteriosa figura bloqueou o caminho dos heróis.
- Cuidado – disse Markytus protegendo Samuel, Ângela e Pedro – é um urso!
- De pé? – disse descrente Peko.
- Com rosto humano? – disse, mais descrente ainda, Pelicanus.
- Ah, mas ainda se parece com um urso! – respondeu Markytus.
A figura riu. Era uma mulher, trajada da cabeça aos pés com uma pele de urso, que incluía até o rosto do animal. Num movimento veloz, ela arremessou duas adagas em direção a Samuel, adagas que prenderam o colete do jovem ladino ao chão. Não é pouco frisar que Samuel ainda estava dentro do colete e, com isto, preso ao chão junto com o mesmo.
- Ah, droga, é ela! – disse Samuel.
- Ela quem? – disse Pelicanus desembainhando sua espada.
- Minha rival, minha arquiinimiga, Maind – respondeu Samuel.
- Lady Maind para você! – disse Maind arremessando mais uma adaga, que passou próxima a cabeça de Samuel.
- Vocês podem fazer a gentileza de explicar tudo o que está acontecendo? – disse Pelicanus.
- Ah, nossa rivalidade é bem antiga – disse Samuel - Tem a ver com meu bisavô perder para o bisavô dela numa partida de bolinhas de gude, alguns mal-entendidos, duas garrafas de rum e apostas altas em jogos de carta. Mas, desde que nascemos eu e a Main... – Samuel se interrompeu após uma outra adaga voar perto de sua cabeça – eu e a Lady Maind nos entendemos como inimigos mortais visando um a destruição do outro.
- Nossa... De todas as coisas absurdas que eu já ouvi de você, Samuel, esta é a que eu menos encontro um adjetivo correto para descrevê-la – respondeu Pedro – Nunca imaginei que você teria um rival. Ainda mais que este rival teria uma noção de moda extremamente discutível...
- A minha pergunta – disse Sir Pelicanus apontando sua espada para Maind – é para saber o porquê que você está nos seguindo!
- Oras – respondeu Maind – a resposta é óbvia, quando meu maior inimigo é procurado em toda Haport por ter roubado um artefato do maior alquimista conhecido, me sinto no direito de procurá-lo e entrega-lo eu mesma. Aí eu vou atrás dele e o vejo escoltado pelos dois maiores guerreiros de Ledika com mais alguns personagens coadjuvantes. Sinceramente, eu me vejo no direito de fazer perguntas.
Pelicanus olhou para Markytus e ambos não sabiam o que falar. Toda aquela situação já havia fugido do controle: Era mais arremesso de adagas e conversas insanas do que qualquer um deles poderia suportar em menos de quinze minutos. Maind novamente tomou a palavra, indo em direção a Samuel e pisando na calça do mesmo:
- Então, você pode me dizer o porquê tudo isto ou será preciso que eu arranque cada palavra de você, uma a uma – disse enquanto erguia mais três adagas.
- Quantas adagas esta garota carrega? – cochichou Peko para Ângela.
- Olha, eu não posso falar o quê eu irei fazer, Maind – disse Samuel, quando mais uma adaga foi arremessada em sua direção – Quero dizer, Lady Maind! Só posso falar que devo ir para limpar meu nome que, como você disse, não está com uma reputação boa ultimamente!
- Que desculpinha! – respondeu Maind!
- Oxi, não queria incomodar, senhorita Lady Maind, mas... – disse Markytus.
- Para você pode ser apenas Maind! – interrompeu a garota da pele de urso.
- Oxi! Ahn, então tá... Maind, não queria incomodá-la mas estamos com pressa e precisamos levar seu inimigo conosco, caso o equívoco não seja grande!
- Pai amado! Ninguém quer me responder nada por aqui? – disse Maind.
Sir Pelicanus aproximou sua espada à garota, e disse:
- Creio que a resposta seja um não.
- Mas, nem um pedacinho? – disse Maind.
- Não – replicou o guerreiro.
- Nadinha?
- Não.
- Nem mais uma informaçãozinha?
- Não.
- Vou ter que me contentar com esta desculpinha?
- Sim.
- Pai amado, que péssimo ânimo por hoje! – disse Maind, retirando todas suas adagas fincadas no chão. – A gente ainda se encontra, Samuel! Com certeza você está correndo risco de vida. Não vou deixar nenhuma outra pessoa, além de mim, ter este prazer!
Samuel continuou deitado estupefato. Pelicanus o levantou e, sem dizer nada, continuou seu caminho, sendo logo seguido pelos demais. Maind se retirava, pelo caminho oposto, olhando para trás algumas vezes, porém desistindo deste movimento quando seu pescoço começou a doer. Não é fácil girar o pescoço numa pele de urso.
Os jovens heróis continuaram a caminhar por mais algumas horas, e, neste tempo, não encontraram mais nada de atípico em seu trajeto. Ou melhor, nada tão atípico quanto o encontro insano que se sucedera, e relatar tudo que aconteceu no caminho estenderia demais nossa já cansativa narrativa.
Por volta das quatro horas da tarde, nossos heróis avistaram os Cais: Uma cidade com prédio grandes, todos em volta do grande porto que havia ali, onde pequenas, médias, grandes, gigantescas e colossais embarcações repousavam de suas longas viagens. Todos pararam e admiraram a cena bela.
Peko, aproveitando o silêncio que reinava a algumas horas, tomou a palavra e disse:
- E que tal: “Soldados da Solenidade”?
Para o bem de Peko, todos os demais conseguiram impedir a tempo que Pelicanus sufocasse o bardo com suas mãos.
Escriturado por: Sir Refevas
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