 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

Taverna de Skoll
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Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008
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Capítulo 17 – Sledgehammer
A nau imperial Martelo de Forja é uma das poucas embarcações ativas remanescentes das frotas ninjinenses lançadas antes da campanha “Regrida a Marinha, Salve o Império” lançada pelo governo de Ninjin. Esta nau continuava ativa, pois sempre levava alguns militares próximo a aposentadoria, militares próximo a invalidez e militares próximo de desertarem para alguns lugares longínquos de Hizketch. O governo se referia a esta operação como “missão arriscada de reconhecimento” para a população, como “férias por serviço” para os militares e “colocar a casa em ordem” para si mesmo.
Alguns ninjinenses mal-sucedidos entravam na nau como clandestinos, procurando uma nova chance em outro lugar de Hizketch. Toda a população acreditava que o governo não aprovava esta atitude. O que a população não sabe é que o último fiscal que expulsou os clandestinos da Martelo de Forja foi embaracato contra a sua vontade e hoje habita na terra gélida dos Lemmus.
Para Kaco, um dos maiores guerreiros do Império, não foi difícil conseguir entrar na nau com dez acompanhantes. Difícil foi convencer o governo a expulsar alguns clandestinos.
- Então Kaco lançou sua espada para Tchelus, que a pegou no ar, correndo em direção ao grande Bug. Neste momento eu e Skoll já havíamos derrotado todo o seu exército insetóide. Bug se distraiu com Tchelus, o que era exatamente o que o mito queria. Hazel então lançou uma magia de paralisia e assim nós terminamos com aquela invasão de Bug. – Mon-Bing terminava seu relato sobre mais histórias do seu tempo de aventureira, entretendo todos nossos heróis.
- Nossa, ouvindo assim parece tão simples! – disse Samuel.
- Mas toda a idéia parece ser simples depois que alguém a efetuou. Difícil é reconhecer o esforço sofrido antes da idéia. – disse Kaco.
- Pois é, Kaco! – disse Mon-Bing – E esta invasão de Bug não foi nada perto da Invasão dos Clones.
- Você lembra desta? – disse Kaco – Foi muito dolorosa para muitos amigos não?
E a conversa agora se dispersava, com os guerreiros conversando entre si. Ângela e Phionna continuavam discutindo a diferença de magias arcanas e divinas. Kaco e Mon-Bing começaram a lembrar dos antigos amigos aventureiros. Pedro, Pelicanus e Markytus apostavam entre si sobre o que aconteceria a seguir. Samuel tentava entrar em qualquer das conversas, e não conseguia. Peko, então, perguntou para Fe-Uiaa:
- Então, você realmente fala nossa língua¹?
- Aprendi em algumas destas aventuras que Kaco e Mon falam. Participei de várias. Mas ninjas ficam nas sombras.
Peko não prestou atenção na fala de Fe-Uiaa. Um dos passageiros da nau tocava um instrumento de sopro de som melodioso, encantando o jovem bardo. Peko perguntou:
- Que som é este, ninja?
- Fe-Uiaa. – respondeu o ninja.
- Você tem o nome de um instrumento? – perguntou Peko.
- Não. Meu nome é Fe-Uiaa e não “ninja”.
- Ah, sim, perdoe-me. Mas, que som é aquele?
- Shakuhachi. Um instrumento de sopro de Ninjin. Gostou do som?
O bardo deixou o ninja a só, rumando em direção à outra conversa.
- Eu acho que enfrentaremos mais monstros gigantes. – disse Pedro Bergamoso.
- Eu acho que nós chegaremos a Janver e enfrentaremos capangas de Art. – disse Markytus.
- Eu acho que nós aportaremos em Janver, sairemos da cidade rumo ao interior do continente, procuraremos a espada Tablet e depois seguiremos ao norte para Isketchecoslováquia, pedir a tão aguardada ajuda. – disse Pelicanus.
Markytus e Pedro olharam espantados para o guerreiro ruivo. Pelicanus replicou:
- Oras, não é para deduzirmos?
Peko se aproximou dos três e perguntou para Pedro:
- Pedro, você se lembra que salvei sua vida, certo? Logo no começo desta aventura toda.
- Ah, sim, lembro! Poxa, você sabe o quanto eu e Samuel estamos gratos, né?
- Sim, imagino. Vocês podem pagar esta gratidão em dinheiro?
- Como?
- Em dinheiro. Sei que Tchelus entregou a vocês a recompensa pelo amuleto que está com Ângela. Você pode me dar algum valor de gratidão pela minha colaboração?
Pedro não sabia o que falar. Não era a última coisa que ele esperava ouvir, porque não tem como algo que você não espera ouvir ser a última coisa que você espera ouvir, justamente pelo significado da palavra “esperar”. O ladino então pegou seu saco de dinheiro, colocou a mão dentro e pegou umas três moedas de ouro, entregando para Peko.
- Isto basta? – disse Pedro.
- Agora sei que vocês dois valem apenas três moedas de ouro. – disse Peko.
- Não, eu valho quase as três. Samuel deve valer algumas moedas de cobre. – disse Pedro, rindo.
- Ei! Eu ouvi isto! – disse Samuel Trezoito.
Como informado, a Martelo de Forja é uma nau remanescente dos tempos gloriosos da navegação ninjinense, logo sua velocidade era fantástica. Não se passou muito tempo e nossos heróis desembarcaram na cidade de Janver, no reino de Ledika. Os dois guerreiros e os dois ladinos estavam contentes por voltarem ao lar, mesmo que fosse em uma cidade distante. Pelicanus então perguntou a Mon-Bing:
- Quais os planos agora?
- Em primeiro lugar, descansar. Amanhã caminharemos ao interior do continente, procurando a espada Tablet. Depois de encontrarmos, seguiremos ao norte, para Isketchecoslováquia. – disse Mon-Bing. Neste momento, sem ninguém entender, Markytus e Pedro entregaram certa quantia de dinheiro ao guerreiro ruivo, que parecia contente. Mon-Bing prosseguiu:
- Vocês que são de Ledika, sabem algum bom lugar para passar a noite aqui em Janver?
- Sei sim – disse Sir Pelicanus – E eles têm uma excelente cerveja preta.
E os dez heróis abandonaram o porto, seguindo o guerreiro ruivo. No caminho, Peko tocava seu novo instrumento, sua shakuhachi, comprada de um dos passageiros da Martelo de Forja. Samuel discutia com Peko acerca da melodia e da letra da música tema do grupo. Samuel apenas confirmou a idéia de que era impossível compor uma letra sem saber um nome para o grupo. Samuel nem quis confirmar a idéia de que perguntar novamente qual o nome ideal para o grupo era uma má idéia. Samuel ia comentar a ironia de seu pensamento, relacionando idéia com ideal, mas novamente não seria uma boa idéia.
A ironia é uma forma de arte. Como forma de arte, a ironia pode ser degustada pouco a pouco para o prazer do admirador da arte. Como forma de arte, a ironia pode ser enquadrada como bela, sutil, doce, amarga, direta ou horrenda. Como forma de arte, a ironia pode ser malvista dependendo da moral da sociedade vigente. Como forma de arte, a ironia tem seus defensores ferrenhos que soltam críticas ilógicas a qualquer forma de ironia que não os agrade.
Assim nossos heróis chegaram a uma Taverna nomeada Mapinea. Entrando lá, Pelicanus, Mon-Bing e Kaco foram ao balcão, deixando Fe, Pedro, Markytus, Peko, Ângela, Phionna e Samuel em duas mesas. Pelicanus debruçou-se sobre o balcão e disse a taverneira:
- Boa noite!
- Boa noite! – respondeu a taverneira – No que posso ajudá-los?
- Gostaríamos de lugares para dormir. Dez pessoas. – respondeu Pelicanus.
- Temos dois quartos disponíveis. Todos nossos quartos tem quatro camas. Creio que duas pessoas terão que dormir no chão. Algum problema?
- De forma alguma! – disse Pelicanus.
- Mais alguma coisa? – perguntou a taverneira. Pelicanus olhou para as mesas, fez algumas contas e disse:
- Um barril de cerveja está bom. Dez copos.
- Farei isto! Sempre é um prazer ter os Guerreiros de Ledika em minha taverna, Sir Pelicanus.
O guerreiro ruivo sabia que era renomado em sua terra natal, mas não imaginava o tanto. Ele ia perguntar como foi que a taverneira descobriu sua identidade, mas depois olhou a armadura que ele e Markytus portavam. Sir Pelicanus então só tinha uma pergunta na mente:
- Você também tem leite e groselha?
A taverneira estranhou a pergunta, mas acenou com a cabeça que havia as duas bebidas no estoque.
- Misture e sirva em um copo – pediu Sir Pelicanus. Só então ele percebeu que havia outra pergunta:
- Qual seu nome?
- Yes. Meu nome é Yes.
- Muito obrigado, Yes! Sirva o copo de leite com groselha para o garoto ali – disse o guerreiro ruivo apontando para Samuel. Pelicanus se retirou em direção às mesas. Kaco e Mon saudaram Yes e foram atrás do guerreiro.
- Olá! – disse uma figura loira em direção a Markytus, Pedro e Samuel.
- Olá! – responderam educadamente os três. Não exatamente em ordem nenhuma.
- Prazer, meu nome é Ju, reconheci a armadura real de Ledika e queria perguntar a vocês se vocês estão numa missão especial e depois gostaria se saber como eu poderia entrar no exército. Sabe, comecei a treinar com armas agora, estou treinando besta, funda e maça. Eu até gostaria de aprender magias, mas me falaram que precisa de muita concentração e acho que isto despende mais esforço do que pegar uma maça e cravar na cabeça do adversário. Aí, como o exército de Ledika deve ter um ótimo treinamento para isto e quando vi esta armadura eu pensei comigo “Uau! Esta é minha chance!” e agora eu venho aqui perguntar pra vocês como se deve fazer isto e...
Os olhos dos três se cruzaram. Nenhum deles conseguia acreditar que alguém podia falar nesta velocidade. Ângela e Phionna começaram a rir entre si. Depois perceberam que rir entre si não tinha muita graça, então começaram a rir alto. Fe não falava muito bem nossa língua¹, então não conseguia pegar nem metade das palavras proferidas por Ju. Peko estava compartilhando músicas e conversas com outro bardo, em outro canto da taverna. Ju continuou:
- Porque todos sabem a importância que é fazer parte deste exército! Já pensou? Eu ali, batalhando, fazendo algo de útil para meu mundo? Nossa, seria magnífico! Mas eu vi estas três armas e comecei a treinar, para ver se alguma delas me agradava. Sabe como é, não é fácil fazer uma decisão que te acompanhará o resto da vida! Mas, eu já fiz inúmeras perguntas e vocês ainda não responderam a nenhuma delas!
- Foi porque não deu tempo para falar – pensou Pedro.
- Foi porque não deu tempo para entender o que era e o que não era pergunta – pensou Markytus.
- Existe alguém que fala mais que eu? – pensou Samuel.
Pelicanus se aproximou deles e disse:
- Olá!
Ju se voltou para o guerreiro ruivo e pensou em responder ao “olá”. Porém a loira olhou para a face de Sir Pelicanus e se calou. Ju então, foi e sentou sozinha em uma mesa mais distante. Markytus perguntou ao amigo:
- Oxi, Pelica! Como é que você consegue uma coisa destas?
- Anos de prática, meu caro Marky. Anos de prática.
Yes trouxe as bebidas para os heróis, que agora compartilhavam os planos para o dia seguinte. Mon-Bing disse aos companheiros:
- Da última vez, eu e Tchelus escondemos a espada Tablet na Caverna Alegre, perto da fronteira entre Tandem e Ledika.
- Caverna Alegre? – perguntou Pedro.
- Sim, Caverna Alegre! – respondeu Mon-Bing.
- Porque estranhas a pergunta, Pedro? – disse Peko – Os geógrafos precisam de alguma diversão na vida.
Aquilo fez sentido para o ladino. Pelicanus prosseguiu:
- Depois seguimos sem demora para Isketchecoslováquia. Temo pelos nossos amigos que estão nas Terras Ermas.
- Não era melhor alguém voltar para ver a rainha? – disse Markytus.
- Seria demorar ainda mais. Ela nos deu ordem de buscarmos ajuda e já deveríamos estar lá. Não podemos perder mais tempo. – respondeu Pelicanus.
Então, depois de algumas conversas, copos de cerveja, petiscos e um copo de leite com groselha, nossos heróis foram aos aposentos da taverna para dormir. Ângela, Phionna e Mon-Bing foram para um cômodo. Pelicanus, Kaco, Peko, Markytus, Pedro, Samuel e Fe foram para o outro, e os três últimos foram indicados para dormir no chão. Yes percebeu que sobrara uma cama no cômodo feminino e colocou Ju para dormir naquele quarto. Ju começou a conversar com Ângela, Phionna e Mon-Bing, sem dar tempo para nenhuma delas responder. O que foi excelente para as três, que adormeceram rapidamente. No quarto masculino, todos os heróis descansavam tranquilamente, até serem acordados por um clarão e um barulho imenso no meio da madrugada.
¹ – Não existe uma tradução exata do termo “Nossa Língua” para o nosso idioma. Isto exatamente porque não existe a palavra correspondente para “Nossa Língua” de “Nossa Língua” em nosso idioma. Para todas as outras palavras de “Nossa Língua”, as traduções estão dispostas nestes contos corretamente, mas justamente o termo “Nossa Língua” criaria um neologismo mais confuso do que esta própria explicação. Logo, sugerimos que você pare de ler aqui e volte ao texto, que é mais engraçado e útil.
Escriturado por: Sir Refevas
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