 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

Taverna de Skoll
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Sábado, Março 15, 2008
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Capítulo 19 – Here We Are
Pressupor é um dos atos mais comuns em Hizketch. Pressupor não é nada mais que a preguiça de colher fatos para comprovar uma teoria criando conclusões precipitadas baseadas apenas em seus pensamentos falhos. Isto acontece pela necessidade que os humanos têm de tomar conta da vida dos outros. Isto acontece porque os humanos são frustrados por não conseguirem tomar conta de suas próprias vidas e, por isto, têm uma enorme satisfação pessoal ao cuidar das vidas alheias. O ser humano tem a incrível capacidade de enxergar a si mesmo como complexos enquanto simplificam ao máximo a vida alheia.
Era madrugada e depois de uma saída triunfal da taverna de Yes nossos heróis seguiam audazes pela adormecida cidade de Janver. Com a cidade deserta, Pelicanus, Peko, Ângela, Phionna, Samuel, Pedro, Markytus, Kaco, Fe-Uiaaa e Mon-Bing não tiveram dificuldades de se afastar em segredo da taverna e rumar para a saída da cidade. Markytus perguntou:
- Como será que aqueles quatro nos encontraram, Pelica?
- Não sei – respondeu Pelicanus – Provavelmente nossas armaduras reais. Elas chamam muita atenção e você sabe como boatos correm em Hizketch. O que mais me preocupa é Denush contratar pessoas para nos procurar!
- Oxi, nem tinha pensado nisto! – disse Markytus – Um alquimista do porte de Denush precisa mesmo de ajuda dos outros?
- Não sei – respondeu o guerreiro ruivo – Apenas presumo que devemos seguir nossa meta.
- E qual é nossa meta mesmo? – perguntou Pedro.
- Seguir continente adentro, rumo à Caverna Alegre, pegar a espada Tablet, seguir ao norte, pedir ajuda ao exército de Isketchecoslováquia e seguir rumo às Terras Ermas, enfrentar Art e novamente trazer paz ao mundo de Hizketch.
- Obrigado! – respondeu Pedro – Era só para anotar na agenda mesmo!
- Falando assim, até que parece fácil, não? – disse Samuel.
- Porque estamos falando como uma retrospectiva, explicando todos os detalhes? – perguntou Peko – Deve ser pelo mesmo motivo que as pessoas falam com bebês e cachorros como se fossem débeis.
Perto da saída da cidade, Pelicanus disse:
- Acho melhor pararmos um pouco. Descansem que eu procurarei montarias para nós. Alguém aqui não sabe cavalgar?
Samuel e Ângela levantaram as mãos. Pelicanus prosseguiu:
- Certo! Procurarei algum estábulo aberto e verei o que posso fazer. Kaco, Markytus, podem me acompanhar?
Os dois acenaram que sim com a cabeça e voltaram à cidade com Pelicanus. Os demais descansaram à sua maneira.
Fe-Uiaaa meditou um pouco. Depois verificou o estado de sua espada, sua adaga, suas shuriken e suas bombas de fumaça.
Ângela abriu alguns pergaminhos analisando um a um. Depois encarou o amuleto preso ao seu pescoço por um longo período.
Phionna usou seu pequeno altar portátil para realizar sua liturgia costumeira. Depois de pedidos, ações de graça e alguns louvores ela desmontou sua parafernália.
Mon-Bing afiou as flechas que ela havia usado na batalha da taverna de Yes. Depois pegou um punhal e começou a podar as árvores ao redor.
Peko afinou seu bandolim. Depois começou a tocar sua shakuhashi à procura de uma melodia tema para o grupo de heróis.
Pedro adormeceu por algum tempo. Depois, acordado pelo som da shakuhashi começou a se arrepender de ter entregado aquele dinheiro a Peko.
Samuel adormeceu. Depois continuou adormecido, torcendo para que ninguém o acordasse.
Depois de um tempo, Pelicanus, Markytus e Kaco voltavam com as montarias.
- Infelizmente não conseguimos montaria para todos. – disse o guerreiro ruivo – O único estábulo aberto tinha poucas montarias, em um estado não muito satisfatório e ainda hábil na barganha, conseguiu me vender uma picareta. Felizmente conseguimos um pônei para você, Mon-Bing!
Mon-Bing encarou Pelicanus por um tempo, mas montou no pônei. Sir Pelicanus tomou a palavra novamente:
- Decidimos dividir os cinco cavalos assim: Kaco e Fe montarão um. Phionna e Ângela montarão outro. Eu, Marky e Peko cavalgaremos cada um em um animal.
- E nós dois? – Perguntou Pedro apontando para Samuel.
- Vocês dividirão uma lhama! – respondeu Pelicanus.
- Uma lhama? – Perguntou Pedro.
- Foi o que deu para comprar! – disse Pelicanus dando de ombros.
E assim nossos dez heróis, ainda sem uma música tema e com um grupo sem nome, mas agora com sete montarias, se despediram da cidade de Janver, caminhando continente adentro.
- Porque você quis virar uma maga, Ângela? – perguntou Pedro, montado em uma lhama com Samuel.
- Acho que foi porque eu sempre quis fazer parte do ciclo interno que move o mundo, moldando esta força para o bem de todos. – respondeu a maga.
- E porque você quis virar uma clériga, Phionna? – perguntou Pedro.
- Acho que foi porque eu sempre quis fazer parte do ciclo interno que move o mundo, sendo moldada por esta força para o bem de todos. – respondeu a clériga.
- Nada de ver o futuro, dinheiro fácil ou miríades de virgens em outra vida? – perguntou Pedro.
- Não! – respondeu Phionna – E porque você decidiu virar um ladino?
- Falta de opção – respondeu Pedro – Quando você vê que a única formação que os mais poderosos têm é a de quadrilha, você se revolta e vira ladino, hippie ou sociólogo. Escolhi a mais honrosa.
- Mon, você sabe para onde Tchelus foi? – disse Pelicanus.
- Não sei, provavelmente atrás de mais ajuda. Mas não consigo presumir – respondeu a guerreira, que montava um pônei que inacreditavelmente corria mais que os demais animais – Mas com certeza ele precisa de nossa ajuda.
- Pelo que você nos disse, ele tem seus motivos para ficar com medo. Quais são? – perguntou Pelicanus.
- Tudo ao seu tempo, Sir Pelicanus. Tudo ao seu tempo. – respondeu Mon-Bing.
- Eu tenho uma história para contar! – disse Peko. – Era uma vez uma pessoa ocre.
- O que é ocre? – perguntou Pedro.
- Ocre é a cor da argila! – disse Samuel.
- Porque não falar cor-de-argila então? – perguntou Pedro.
- Porque esta cor tem um nome! – disse Peko – Continuando: Esta pessoa ocre morava em um mundo ocre. Todos os dias e todas as noites, tudo o que ele via era ocre.
- Porque não azul? – perguntou Pedro.
- Porque é ocre! – respondeu Peko – Continuando: Sua casa era ocre. Seu cavalo era ocre. Sua úlcera era ocre!
- Aposto que sua argila também era ocre! – interrompeu Pedro. Peko soltou um olhar reprovador para o ladino, mas continuou:
- Ele conseguiu uma namorada, que também era ocre. Tudo por perto era ocre, das pessoas que caminhavam até os pássaros que voavam. Tudo o que ele via, tudo o que ele falava, tudo que ele sentia, seu âmago inteiro era ocre!
Fez-se um silêncio.
O silêncio continou.
Irritantemente o silêncio permanecia ali.
Quando o silêncio pensou em se tornar o décimo primeiro integrante da equipe Samuel o expulsou:
- E?
- E o que? – disse o bardo.
- E o final? – disse Samuel.
- Não tem final! Esta é a história! – disse Peko.
- Mas... Como assim? – disse Pedro.
- Vocês são daqueles metódicos que crêem que sempre há um fim definitivo por todas as coisas e que existe uma moral subentendida em todos os relatos? Daqueles que procuram uma solução definitiva em vez de agir em prol de algo ou alguém? Que precisam provar quem controla o equilíbrio cósmico para poder falar que tem um sentido na vida? Estou muito decepcionado com vocês! – disse o bardo.
- E eu contigo! – disse Pedro – Não se esqueça que sua sacola de dinheiro está comigo!
- Verdade! – disse Peko – Então basta falar que tudo era ocre porque o homem ocre só conseguia enxergar e viver esta cor.
- Não, não basta! – disse Pedro.
- Basta! – disse Peko.
- Não basta! – disse Pedro.
- Vamos parar com estas infantilidades? – perguntou Pelicanus.
- Mas foi ele quem começou! – lamentou o ladino.
Nesta altura nossos heróis se aproximaram da antiga torre de El-Afar quando uma mulher, portando uma estranha arma vermelha correu em direção deles e gritou:
- Finalmente alguém apareceu por aqui! Vocês poderiam me ajudar?
Todos olharam para Pelicanus. Pelicanus olhou para Markytus e falou bem baixo:
- Não acho bom nós perdemos mais tempo, irmão!
- Mas nem sabemos qual o problema, irmão! – disse Sir Markytus.
- Uma tropa de maléficos serverfuls seqüestrou minha filha, todos fugiram amedrontados e não sobrou ninguém para me ajudar! – disse a aflita mulher.
Todos continuaram olhando para Pelicanus.
- Está certo, faremos uma pequena parada! - disse o guerreiro ruivo.
Escriturado por: Sir Refevas
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