 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

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Quinta-feira, Março 20, 2008
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Capítulo 20 – Stone Cold
Os Serverfuls são monstros baixos, cinzas, de forma ovóide e com quatro pés. Sua principal característica é a capacidade de irritar os demais seres vivos. Não importa onde estiver um serveful, sempre terá outra miríade de serverfuls com ele e todos voarão em direção do tal ser vivo que o avistar, impedindo qualquer movimento deste. Não existe motivo aparente para esta atitude e os únicos que ousaram estudar isto foram sufocados por centenas de serverfuls. Outra característica marcante é a falta de habitat dos serverfuls. De fato eles já foram vistos em todos os lugares, seja vulcânico, glacial, lacustre, marítimo e terrestre com exceção das filas de repartições públicas, lugar extremamente nocivo para os servefuls. E para os demais seres vivos também.
Pelicanus e os demais desmontaram de seus cavalos. Exceto Pedro e Samuel, que desmontaram de sua lhama, e Mon-Bing que desmontou de seu pônei. Pelicanus falou com a aflita mulher:
- Por favor, nos forneça mais detalhes!
- Em primeiro lugar, meu nome é Mi! – disse a aflita mulher.
- Mi? É você? – gritou Kaco.
- Sim, sou eu! Quem é você? – perguntou Mi.
- Sou eu, Kaco! Não se lembra?
- Kaco! Quanto tempo! Você mudou o cabelo, mal reconheci! – disse Mi.
- Você também mudou! – disse Kaco.
- Como vocês não se reconhecem por diferença de cabelo? O rosto continua o mesmo! – disse Mon-Bing.
- Mon? É você? – perguntou Mi.
- Mon, você havia reconhecido a Mi? – perguntou Kaco.
- Claro que sim! – respondeu Mon-Bing.
- E porque não falou antes? – disse Kaco.
- Para manter o suspense do último capítulo! – disse Mon-Bing.
- Vocês podem me explicar o que está havendo aqui? – disse Sir Pelicanus.
- Mi era do mesmo grupo de batalha que eu, Kaco e Tchelus! – disse Mon-Bing.
- Então... Além da reunião de família, existe mais alguma informação útil? – disse Sir Pelicanus.
- Sim! – respondeu Mi – Uma tropa de serverfuls seqüestrou minha filha, Nanda, e trouxeram aqui para esta torre. Como não sei enfrentar um exército sozinha, esperei ajuda até agora. O único que veio ajudar foi um rapaz esforçado chamando Clayton. Mas ele se esforçou tanto que está padecendo ali no canto. – Mi apontou para um rapaz caído e ofegante.
- Mas você não havia disto que ninguém veio ajudá-la?– disse Peko.
- Foi apenas um comentário hiperbólico! – disse Mi.
- O rapaz se prontifica, se esforça, paga caro por isto e depois é chamado de ninguém! – disse Peko – Ó mundo injusto!
- Phionna, tente curar o jovem – disse Pelicanus – Vamos planejar o que fazer. Precisamos de ladinos para ver se existem armadilhas na torre. Mas precisamos que pelo menos um fique aqui com Clayton e com as montarias.
A torre de El-Afar não era um primor de arquitetura. Consistindo por apenas uma escada em caracol que termina num pequeno cômodo com uma janela, ela poderia decepcionar qualquer ser inteligente. Se não bastasse esta inutilidade arquitetônica, a torre fica exatamente no nada e a estrada mais próxima, aquela que Pelicanus e os demais usaram e encontraram Mi, é pouco movimentada. O único motivo para que a torre de El-Afar se tornasse um ponto turístico é que não havia motivo. Por isto mesmo a torre de El-Afar ficou com um status cult e era alvo de romaria de pseudo-intelectuais.
Samuel e Pedro examinaram a porta da torre com extrema cautela. Não havia nada ali que deixasse claro que havia alguma armadilha na porta ou que alguém estaria escondido pronto para um ataque. Como Pelicanus desconfiou do estudo dos dois ladinos, pediu para que ambos arrombassem a porta. Samuel e Pedro calmamente desmontaram todo o mecanismo da maçaneta e abriram a porta e nada aconteceu.
Fe-Uiaa e Kaco entraram, sendo seguido por Mi, Samuel e Pedro. Ângela e Phionna vinham logo em seguida, Markytus, Mon e Pelicanus vinham logo atrás. Todos começaram a subir as escadas, afinal, não havia mais nada a fazer.
- Que espécie de arma é esta, Mi? – perguntou Samuel apontando para a estranha arma vermelha de Mi.
- Eu chamo de extintor! – disse Mi – Esta arma cilíndrica é recheada com um pó químico especial que apaga qualquer manifestação pirotécnica, além de ter uma massa metálica densa o suficiente para causar graves danos por contusão.
- Não entendi! – disse Pedro.
- Esta arma apaga fogo e dá uma boa pancada, Pedro – disse Samuel.
- Para um exército de serverfuls, aqui está bem quieto, não? – disse Markytus.
Neste momento, uma quantidade absurda de serverfuls descia os degraus em alta velocidade e em direção aos heróis. O barulho era insuportável. A tensão de um combate iminente pulsava sob aquela construção rochosa. Samuel pensou em fazer uma piada, mas era tarde de mais.
Do lado de fora da torre, portando seu bandolim, Peko lamentava:
- Consigo paralisar pessoas por um curto espaço de tempo. Consigo adestrar papagaios de realejo. Provavelmente eu que recitarei todos os feitos deste grupo em todos os cantos de Hizketch. Quanto tem alguma ação, o que fazer? Coloque o bardo para tomar conta dos cavalos. Coloque o bardo para tomar conta da lhama. Coloque o bardo para tomar a conta de um ninguém!
Clayton, já curado de seus ferimentos, despertou. Ele se levantou olhou para tudo aquilo e disse:
- O que aconteceu por aqui?
- A cavalaria chegou! – respondeu o bardo – Meus amigos, ou melhor, meus companheiros de equipe estão subindo esta torre para derrotar estes serverfuls!
- Mas, o exército serverfuls não é o maior problema! – respondeu Clayton.
- Não? – disse o Bardo.
- Preciso ir lá ajuda-los! Fique aqui e tome conta de tudo! – disse Clayton, que correu para a entrada da torre.
- Sabe, precisamos dar um nome para você, lhama! – disse Peko ao falar com o animal.
Markytus girava sua espada, acertando o maior número possível de serverfuls. Kaco se defendia, usando seus punhos e sua espada para derrubar os monstros. Todos os demais usavam os seus possíveis ataques, golpeando os serverfuls que pulavam em sua direção.
- Porque nós atacamos os monstros assim, tão gratuitamente? – disse Samuel, usando duas adagas para ferir os serverfuls que pulavam em cima dele.
- Quem disse que é gratuitamente? Eles seqüestraram a filha da Mi! – disse Pedro, também usando adagas para acertar os serverfuls que pulavam em cima dele.
- Mas eles devem ter um bom motivo para isto! – disse Samuel.
- Existe um bom motivo para seqüestrar os outros? – disse Pedro.
- Não! Eu disse que eles devem ter um motivo para isto! – disse Samuel.
- Eles são monstros! Eles não precisam de motivos para estas coisas! – disse Pedro.
- Nenhum ser vivo, nem mesmo um monstro, comete barbáries gratuitamente! – disse Samuel.
- Nem os integrantes de torcidas organizadas? – disse Pedro.
- Ah, sim! Nenhum ser vivo, exceto os integrantes de torcidas organizadas! – disse Samuel.
- Ângela, tem algo que você pode fazer para nos aliviar? – perguntou Pelicanus, atacando a quantidade absurda de monstros que pulava próximo a ele.
A maga ouviu o guerreiro, ergueu as mãos e gritou:
- PING!
Os monstros começaram a se mover vagarosamente, como se sua velocidade tivesse diminuído. Este era o efeito da mágica de Ângela. Pelicanus, atacando os monstros que vinham para cima dele, de Ângela e de Phionna, gritou aos heróis que estavam mais a frente:
- Kaco, Mi e Samuel, continuem subindo. Nós daremos suporte por aqui!
Os quatro ouviram isto e se preocuparam apenas em subir as escadas e desviar dos monstros. Pelicanus protegia as duas usuárias de poderes mágicos, enquanto Markytus, Pedro, Mon-Bing e Fe-Uiaa atacavam os monstros que vinham na direção de Kaco, Mi e Samuel.
Clayton subia as escadarias correndo e demorou em alcançar os heróis. Quando alcançou foi logo sufocado por alguns serverfuls e teve que ser ajudado por Phionna. Nesta altura, Kaco, Mi e Samuel chegaram ao cômodo no topo da torre. Adentrando o recinto, eles avistaram uma corda que descia do teto e terminava com a pobre Nanda amarrada nela. No canto um imenso minotauro mantinha uma expressão facial de bravo. Ou uma expressão facial que qualquer outro humano julgaria como o de alguém bravo.
Mi mal esperou e arremessou seu extintor no minotauro, o que fez um grande estrago na face que parecia brava antes. O minotauro urrou de tanto dor que sentira. É uma reação costumeira de quem tem uma face para qual foi arremessada um extintor. Logo depois de urrar, o minotauro bradou:
- Não se pode nem tentar dominar uma torre?
- O que ele falou? – disse Samuel.
- Eu também estou espantado com o fato dele falar! – disse Kaco.
- Não, eu perguntei se eu entendi corretamente. Dominar a torre? Como os vilões estão pensando baixo. Antes era dominar o mundo, uma nação, um continente a sua escolha... – disse o ladino.
O minotauro ergueu seu machado e tentou golpear Samuel, que se esquivou. Mi já havia recuperado sua arma e golpeou mais uma vez o monstro. Kaco empunhava sua espada, mas teve uma idéia mais sensata.
- Para que você quer esta torre? – disse o samurai.
O minotauro partiu para cima de Kaco, que se limitava a desviar dos ataques deste. Samuel se agarrou um uma perna do monstro e começou a atacá-lo com uma adaga. O samurai prosseguiu:
- Porque você trouxe todos estes serverfuls?
O monstro novamente não respondeu e continuava suas investidas contra Kaco.
- Porque você precisa desta garota? – perguntou o samurai – Vingança?
- Plano maligno? – perguntou Mi.
- Torcida organizada? – perguntou Samuel.
O monstro urrou mais uma vez. Kaco falou:
- Se é assim, eu desisto. Samuel, pegue a garota.
Samuel escalou a parede do recinto até o teto, lançou uma adaga que cortou a corda que prendia a garota de cabelo roxo ao teto e, numa acrobacia voltou a chão e pegou a garota. Kaco começou a investir contra o monstro. Mi novamente golpeou com seu extintor o minotauro, que desmaiou. Vendo que não havia como escapar, o monstro disse:
- Eu me rendo! Eu me rendo!
- Então explique o porquê de tudo isto! – disse Kaco.
- Eu fui amaldiçoado e transformado em minotauro. Aí me prometeram reverter isto se eu começasse a dominar o mundo todo a partir daqui. Os serverfuls me ajudariam a dominar todas as terras vizinhas, e seqüestrei a garota para ser minha noiva!
- Agora sim parece um plano típico de vilão! – disse Samuel.
- E quem te prometeu isto? – disse Kaco.
- Eu! – disse uma voz que ecoou no recinto. Kaco, Mi, Nanda e Samuel procuraram a origem da voz, mas não conseguiam ver nada. De repente o teto da torre se ergueu e um mago flutuava olhando para os cinco, dizendo:
- Sua participação foi efetuada, Kaitos, agora você está descartado! – Ao falar isto, o mago lançou uma magia em direção ao minotauro que desapareceu instantaneamente, deixando os quatro restantes atônitos.
Peko monologava com a lhama quando viu o teto da torre flutuar. Sua primeira reação foi um alívio por não estar lá para enfrentar qualquer um que tivesse poder para isto. Sua segunda reação foi um pequeno remorso por sua inércia em ajudar os amigos. Sua terceira reação foi esquecer a segunda reação. A sua quarta, e mais forte reação, foi perceber que ele perderia um ótimo episódio para recitar em todas as tavernas. Peko segurou as rédeas dos animais e caminhou em direção à torre.
Pelicanus e os demais haviam derrotado todos os serverfuls. Pedro e Clayton ficaram feridos, mas Phionna, com seus poderes clericais, os curou. Então eles terminaram de subir as escadarias, onde encontraram um salão sem teto, Nanda nos braços de Mi, Samuel e Kaco olhando para cima, em direção a um mago que flutuava.
- O que está acontecendo aqui? – disse Pelicanus.
- Supondo que a garota de cabelo roxo é a filha da Mi, ela está nos braços de sua mãe e Samuel e Kaco estão olhando para cima, em direção a um mago que está flutuando! – disse Pedro.
- Este mago foi o responsável pelo seqüestro, pelo ataque serverful e por uma morte que acabou de acontecer! – disse Kaco.
- Quem é você e o que você quer? – gritou Pelicanus, olhando para o mago.
- Meu nome é Gartik! – disse o mago, flutuando, mas agora descendo em direção aos heróis – Eu quero dominar todo Hizketch e reescrevê-lo ao meu desejo!
- Para quê? – disse Sir Pelicanus.
- Como assim “para quê”? – disse Gartik, já próximo ao chão do recinto – Hizketch está decadente, não há mais solução, nenhuma visão de melhora. Eu necessito moldar tudo à minha maneira para o bem de todos!
- Porque exatamente você? – disse Pelicanus.
- Porque eu tomei a iniciativa! Quando se toma a iniciati... – O mago dizia quando desmaiou com um golpe dado pela haste de uma picareta, desferido por Peko.
- Um final patético, não? – disse Pedro.
- Vilões tolos merecem finais tolos! – disse Samuel.
- Obrigado, Peko! – disse Pelicanus.
- De nada! Ficaria grato se da próxima vez você deixar outro olhando os cavalos! – disse o bardo.
Kaco amarrou o desmaiado mago com a mesma corda que o falecido minotauro havia amarrado Nanda.
- HUG! – gritou Ângela, estendendo os braços sobre a corda. – Pronto, ele ficará preso aqui por um bom tempo!
- Muito obrigada por me salvarem! – disse Nanda, abraçando cada um dos heróis.
- Muito obrigada por toda a ajuda! – disse Mi.
- De nada! – disse Sir Pelicanus – Deixamos agora Gartik sob sua responsabilidade! Leve ele às autoridades para ser punido como merece!
Pelicanus e os demais se despediram de Nanda e Mi. Contente com o resultado obtido com a picareta, Peko pegou com a arma para si. Os heróis montaram suas cavalgaduras e voltaram à estrada em que haviam encontrado Mi.
- Dominação global. Moldar o mundo ao seu modo. Nada criativo, não? – disse Samuel.
- Poderia ser pior. Poderíamos ter encontrado um gêmeo malvado ou qualquer coisa do tipo! – disse Pedro.
- Alguém mais está preocupado com fato de levarmos isto com tanto desdém? – disse Phionna.
E assim, depois de um pequeno desvio de sua missão, a equipe de heróis, ainda sem nome, cavalgando em suas montarias, também ainda sem nomes, prosseguia com sua missão, em direção à Caverna Alegre.
Escriturado por: Sir Refevas
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