 Hizketch é um mundo insano, recheado de pessoas loucas, situações confusas e aventuras fantásticas.
Contos de Hizketch trata apenas de compilá-las para que pessoas igualmente insanas leiam.
Capítulos novos serão postados a cada semana, exceto quando o autor se encontrar impossibilitado, ou quando os leitores abandonarem o site de vez.
Novidades, curiosidades e brincadeiras: Veja a Taverna de Skoll
 0 - Mad World
1 - The Message
2 - Absolute Begginers
3 – Games Without Frontiers
4 – Welcome to the Jungle
5 – Everybody's Problem
6 – Trouble
7 – Heat of the Moment
8 – Rumors
9 – Who Can It Be Now
10 – Where Is My Mind?
11 – I Remember You
12 – I Want Action
13 – Sailing
14 – Sailor Man
15 – Live for Tomorrow!
16 – Open Letter
17 – Sledgehammer
18 – Treat Me Right
19 – Here We Are
20 – Stone Cold
21 – Do You really Want to Hurt Me
22 – Super Trouper

Taverna de Skoll
DeviantArt dos Contos de Hizketch
iSketch
iSketcheiros Brasil
iSketch Awards 2005
iSketch Awards 2006
iSketch Awards 2007
iSketcheiros Aruenados
Los Isketcheros
iSketcher
Contato
|
Sábado, Março 29, 2008
|
Capítulo 21 – Do You Really Want To Hurt Me
Várias pessoas poderiam falar sobre a Caverna Alegre. Muitos falariam que ela exala maldade, o que não é totalmente verdade. Muitos falariam que ela é o habitat perfeito para monstros pérfidos, o que não é totalmente verdade. Muitos falariam que ela é um dos melhores lugares para se evitar em Hizketch, o que não é totalmente verdade. Muitos falariam que ela tem um nome ridículo, o que é completamente verdade.
Uma das tarefas mais complicadas no mundo é o nomear, o dar nome às coisas. Muito disto vem do fato que os pais, criadores ou nominadores querem um nome esteticamente belo, original ou único, sendo que as três características variam de indivíduo para indivíduo, o que pode causar, e geralmente causa, muitos traumas para quem recebeu a nominação. Mas o problema não consiste apenas em dar nome a lugares, filhos, animais ou qualquer outro alvo de afeição ou rejeição especial. Além da estética, existe um motivo para todas as palavras serem chamadas pelos seus respectivos nomes: Utilidade. De todos os idiomas, apenas o falado pelos Lemmus tem uma palavra para "proporção entre a altura percorrida e a altura total de uma queda, vista na perspectiva de quem cai", e isto acontece pela total inutilidade que a palavra teria para os outros povos, assim como tem para os próprios Lemmus, que geralmente falecem quando precisam usar esta palavra. A utilidade é o mesmo motivo pelo qual todos os idiomas mantém a mesma sonoridade e quase a mesma grafia para as palavras "amém" e "pizza", o que prova que as maiores necessidades do ser humano são o preenchimento espiritual e o se alimentar com um disco de massa fermentada coberto com algum recheio específico. Existem também aqueles que não têm bom gosto e nem criatividade para dar nomes, o que é o caso de quem deu nome à Caverna Alegre.
Um dia após uma confusa aventura com extintores, minotauros e serverfuls, os heróis, ainda sem um nome específico devido a já explicada dificuldade em se dar nomes, chegaram à Caverna Alegre, onde buscavam a famosa Espada Tablet. Não relataremos o que aconteceu desde que os heróis saíram da torre de El-Afar pelo fato de não ter acontecido nada digno de menção. Caso persistam em saber e atrapalhar a fluidez da narrativa, os heróis cavalgaram uma boa distância, ao anoitecer fizeram um acampamento a beira da estrada, comeram o que ainda sobrou do alimento entregue por Mag na Taverna de Skoll, discutiram poucos aspectos da missão, se divertiram com jogos de baralho, ouviram algumas músicas, dormiram tranquilamente, acordaram e cavalgaram até chegar a Caverna Alegre. Talvez o único acontecimento digno de menção é que Pedro e Samuel deram o nome de Bóia para sua lhama. A história por trás deste nome é longa e insossa, logo pularemos ela e afirmaremos que os dois ladinos não têm bom gosto e nem criatividade.
Após amarrarem as rédeas dos cavalos, pônei e lhama em árvores próximas, os dez heróis pararam diante da entrada da Caverna.
- Tem certeza que esta é a Caverna Alegre? - disse Samuel.
- Absoluta! - disse Mon-Bing.
- Neste lugar ligeiramente repulsivo? - disse Samuel.
- Ligeiramente? - perguntou Pedro.
- Eufemismo rotineiro. - disse Samuel.
- Sim - respondeu Mon-Bing - Quando você quer guardar uma arma de valor importantíssimo, que lugar melhor que uma caverna horrível e repleta de monstros?
- Quando você porta uma arma de valor importantíssimo, porque não permanecer com ela em vez de trancafiá-la no lugar mais evitável possível? - perguntou Peko.
Realmente a aparência da caverna era repugnante. Era muito parecida com uma montanha cinza disforme, erguendo-se como algo muito próximo a alguma coisa abominável que a própria terra está expelindo, com uma entrada semelhante a pedaços de carne de zebra arrancados a dentadas de leões. Se havia algo para ser chamado de alegre ali ou havia viajado a algumas centenas de anos ou era de extremo mal gosto. Kaco e Mon-Bing foram os primeiros a entrar, pois sabiam o lugar exato em que haviam guardado a espada Tablet pela última vez. Os demais acompanharam os dois ninjinenses, mas se arrependeram, porque o interior da caverna ainda era mais horrendo que o exterior.
Todos heróis empunharam suas armas, com exceção de Phionna, Fe e Markytus que acenderam suas tochas para iluminar o interior da caverna. Eles já se afastavam da entrada e aquela era a única iluminação possível, o que não era reconfortante. As estalactites e as estalagmites da caverna eram tão retorcidas e afiadas que pareciam desenhadas por algum artista com surtos psicóticos; o chão era tão irregular e sinistro que parecia algum rascunho feito e jogado fora pelo artista com surtos psicóticos; o teto era de tão inacreditável mau gosto que provavelmente foi o que fez o artista ter surtos psicóticos. Neste instante Mon-Bing percebeu que havia alguma coisa errada:
- Kaco, os monstros não deveriam ter nos atacado?
- Agora que você falou, realmente demorou para os serverfuls nos atacarem - respondeu o Samurai.
- Vocês esperavam isto? Qual a graça de ser sufocado por criaturas irritantes? - disse Peko.
- Não é só isto! - disse Mon-Bing - Não vejo nem sinais de morcegos por aqui. Até o guano parece muito antigo.
- É como se todas as formas de vida que habitavam aqui tivessem fugido - disse Phionna.
- E foi exatamente o que aconteceu! - disse uma figura que surgia de trás dos heróis.
Antes de apresentarmos a personagem, vamos apenas reforçar que, apesar de todos crerem, através dos fatos, que todos seres vivos que habitavam a caverna houvessem fugido, os fungos permaneciam exatamente aonde sempre estiveram, o que prova que eles são os mais bravos dentre todos os seres agraciados com o dom da vida.
A mulher que surgiu de trás dos heróis usava uma estranha calça roxa, uma estranha blusa roxa e estranhos panos roxos que cobriam todo seu rosto, exceto a parte dos olhos. Ela portava uma espada comum e foi em direção a onde estavam Markytus e Pelicanus e prosseguiu:
- Meu nome é Elle. Estou procurando tesouros escondidos em cavernas medonhas e grotescas.
- Meu nome é Sir Pelicanus, guerreiro de Ledika. Estes são Sir Markytus, Mon-Bing e uma porção de coadjuvantes. Procuramos um tesouro em específico.
- É prudente falar para uma caçadora de tesouros que procuramos um tesouro? - cochichou Pedro para Peko.
- Você ainda procura algum bom senso nisto tudo? Vocês deram o nome de Bóia para uma lhama! - cochichou Peko para Pedro.
- Creio que será difícil! - disse Elle.
- Por quê? - perguntou Pelicanus.
- Pelo motivo que espalhou todos os monstros daqui. O Monstro! - disse Elle.
- O que seria O Monstro? - perguntou Samuel.
- Um ser vil que ronda este continente - disse Ângela - Alguns o chamam, com certeza razão, de Rei da Maldade.
- Ele é grande? - disse Samuel.
- Oxi! Enorme! - disse Markytus.
- Ele bate muito? - disse Samuel.
- Oxi! Um dos seres mais fortes que ouvi falar! - disse Markytus.
- Ok! É meu turno de tomar conta dos cavalos! Boa sorte para vocês! - disse Samuel, que não saiu do lugar. Ninguém voltaria à entrada daquela caverna amedrontadora sozinho.
Assim, os dez heróis acompanhados por Elle seguiam pela caverna em direção ao lugar onde Mon-Bing, Kaco e Tchelus esconderam a espada Tablet pela última vez. Todos heróis permaneciam tensos, esperando o momento em que encontrariam o terrível Monstro. Na verdade nenhum deles realmente ansiava este momento mas, já que estavam nas profundezas de uma caverna aterrorizadora porque não enfrentar um monstro que repeliu toda as formas de vida (exceto os fungos) daquele lugar? Feliz ou infelizmente este momento não durou muito.
Os onze olharam para o Monstro. Ele era grande e pálido, com espinhos no seu dorso, que continuavam até sua cauda, dois membros que poderiam ser chamados de braços, outros dois que poderiam ser chamados de pernas, unhas afiadíssimas e dentes ainda mais afiados que as unhas. Ele também tinha cinco dedos em cada mão e um destes dedos não se movia, mas estes são detalhes pequenos demais para reparar quando se encontra um monstro, logo nenhum dos onze percebeu isto.
O Monstro olhou para os onze, fez uma pequena expressão de dúvida com seu rosto e depois realizou sua ação mais costumeira: urrou. O urro foi tão forte que ecoou por toda a caverna, o que expulsaria qualquer outra forma de vida que permanecesse ali além dos onze heróis e os fungos. Pelicanus corajosamente ergueu sua espada e partiu para o ataque.
Phionna, Fe, Markytus e Elle permaneciam afastados do Monstro, segurando suas respectivas tochas. Monstro golpeou Peko com sua cauda, arremessando o bardo para longe. Samuel foi em direção ao bardo, pegou sua picareta e correu eu direção ao monstro. Kaco golpeava uma das pernas do Monstro com sua espada enquanto Mon-Bing queimava, com o fogo das tochas, as pontas de suas flechas e as disparava contra o Monstro. Pelicanus foi agarrado por uma das mãos do monstro, aquela que não tinha o dedo torto, enquanto tentava escapar e era ajudado por Fe-Uiaaa. Ângela juntou suas mãos, se concentrou e gritou:
- SLAP!
Esta magia de Ângela fez com que o Monstro tomasse um ataque mágico contundente, que o fez desequilibrar e cair. Samuel fincou a picareta na cauda do Monstro, o que deve ter causado muita dor, já que este urrou mais forte que a primeira vez e se debateu, acertando Kaco. Fe-Uiaaa e Pedro golpeavam um dos braços do monstro, o que livrou Pelicanus. Ângela se concentrou mais uma vez e ia disparar outra magia "slap" quando foi interrompida.
- Já chega! - gritou uma figura em um dos cantos daquela cavidade da caverna. A atenção dos onze heróis e do Monstro se voltou para ela. Com exceção de Elle, todos reconheceram a figura, principalmente Samuel. Não tinha como esquecer daquela veste de urso, principalmente quando se trata de sua arquiinimiga.
- Pai amado, o que está acontecendo aqui? - disse Maind.
- Viemos apenas defe... - disse Samuel.
- Xiu você! - interrompeu Maind, arremessando uma adaga em direção ao ladino - Que vergonha! Onze auto-intitulados heróis atacando covardemente e sem motivo algum um pobre monstro!
- Mas, Maind! - disse Monstro - Eu tinha como me def...
- Xiu você também! - interrompeu Maind, arremessando outra adaga em direção a Samuel - Eu sabia que teria problemas quando encontrasse vocês novamente. Mas, covardia? Covardia é algo que esperava apenas de Samuel e não de guerreiros respetáveis usando a armadura real de Ledika!
- Mas, oxi, nós só viemos atrás de um objeto que está aqui e encontramos o Monstro! - disse Markytus.
- E perguntaram para ele onde estava este objeto? - disse Maind.
- Não, ele apenas, bem, urrou antes! - disse Markytus.
- Ele urrou? - disse Maind.
- Oxi, urrou sim! - disse Markytus.
- Só urrou? - disse Maind.
- É, só urrou - disse Markytus, o que realmente deixou todos os heróis desconcertados.
- Vocês querem me dizer que toda esta confusão começou por causa de um simples urro? - disse Maind.
- É, creio que sim! - disse Markytus. Maind se voltou para o Monstro e disse:
- Você precisa ter bons modos, Monstro! Como você quer criar uma morada se trata mal os seus visitantes?
- Morada? - perguntou Sir Pelicanus?
- É, uma morada! - disse Monstro - Já procurou um lugar pacato para se viver sendo um monstro? Pensei em casa de campo, casa de praia, casa na árvore, mas pensei que teria mais paz numa caverna que, em tese, é evitada por todos.
- Nós, bem... - disse Pelicanus - Nos desculpamos.
- Tudo bem, tudo bem - disse Monstro - Acontece. Só vou pedir pro baixinho retirar aquela picareta, porque dói!
- Mas, o que você faz aqui, Lady Maind? - disse quando Samuel foi retirar a picareta da cauda de Monstro.
- Oras, só vim visitar um amigo! - disse Maind - Na verdade, Monstro é como um mestre pra mim, aí ele me pediu ajuda para decorar algumas coisas aqui, dar um novo estilo para todas estas distorções físicas da caverna, tornar este um lugar mais agradável para um monstro.
- Tornar coisas mais agradáveis para monstros? - disse Samuel - Você entende isto por experiência própria?
Uma chuva de adagas foi arremessada por Maind em direção ao ladino. Pedro foi ajudar Peko a se levantar.
- Tudo bem, Peko? - disse Pedro.
- Tirando que fui acertado em cheio por um monstro enorme e forte, está tudo ótimo - disse Peko - só espero que agora o mundo pare de girar e eu veja qual dos três de você que eu vejo é o verdadeiro.
Mon-Bing e Kaco estavam em um canto daquela cavidade, quando se voltaram aos demais:
- A espada! Não está aqui! - disse o samurai.
- Vocês procuravam uma espada de cabo dourado, com uma gema vermelha e um brilho magnífico? - disse Monstro.
- Esta mesmo! - disse Mon-Bing.
- Levaram ela há cinco dias atrás! - disse Monstro.
- Quem levou? - disse Mon-Bing.
- Um caçador de tesouros. Ele encontrou a espada, desmontou a armadilha e foi embora com ela - disse Monstro.
- E você deixou? - disse Mon-Bing.
- Ele me pagou bem e não me acertou com picaretas, magias e espadas - disse Monstro.
- E para onde vamos agora? Precisamos daquela espada! - disse Pelicanus.
- Ah, sim - disse Monstro - Antes de sair, o caçador de tesouros falou: "esta espada é o prêmio ideal para o Grande Torneio de Tandem-Rum".
Escriturado por: Sir Refevas
Comentários:
|
|